
E por ser essencialmente um jogo, muito mais do que um esporte como os outros, a sorte é variável fundamental para determinar o destino da história.
Para um primeiro momento, o desempenho do Vasco é satisfatório.


Querem que eu sinta uma tristeza que não sinto.
E, sobre meus ombros, pôr o peso de um estigma que não resiste à uma breve e pueril consulta histórica.
Querem que eu sinta vergonha pelo meu mérito.
E vendem que minha luta foi em vão.
O Vascaíno não comemora o vice.
Não está orgulhoso da não conquista.
Não está satisfeito por ter sido eliminado.
O Vascaíno comemora o Vasco.
O Vasco que ele conheceu quando criança.
Voltando a ocupar o espaço que é seu de direito.
O Vasco que briga pelo máximo, sempre.
E por isso é tantas vezes vice.
E é por isso é tantas vezes campeão.
Mais uma vez atingimos a honrosa segunda colocação ao final desse Brasileiro.
Feito já obtido outras duas vezes, diante do Inter, em 79, e Fluminense, em 84.
Das sete vezes em que estivemos disputando o título, vencemos quatro.
Em nossas três finais sul-americanas, vencemos todas.
Números que nada Interessam nesse momento.
Momento de se lamentar pela não conquista de um time que merecia, que podia, e que provavelmente usará essa campanha como combustível para as conquistas, naturais, que se seguirão.
Em breve, muito breve.
Não perdemos o campeonato nesse jogo. Você há de se lembrar, sem a necessidade de apontar , de vários pontos jogados pela janela .Tungados pela arbitragem.
Pode até dizer que quatro deles ficaram nos bolsos do Péricles Bassols.
Dirá em vão. Sem Razão.
Sempre soubemos que não podíamos depender da sorte decidida pela arbitragem.
Precisaríamos ultrapassar mais essa barreira e não conseguimos.
Cedemos ao cansaço, sem jamais ir a nocaute.
Derrota por pontos. Dois pontos.
Você também pode dizer que o campeonato está armado para o Corinthians.
Argumentação que encontra indícios, ou pelo menos suspeitas, para se sustentar.
Provar? Impossível.
“No creo em las brujas, pero que las hay, las hay”, diria o outro.
Entrar em qualquer discussão é o pior que pode ser feito.
Rebatê-los é trazê-los ao nosso plano, ou, ainda pior, submergir ao deles.
Protagonistas e coadjuvantes não devem se misturar.
Hoje o Vascaíno sente orgulho.
O Vascaíno, eu, comemora o Vasco.
O Vasco que eu conheci quando criança.
Forte, respeitado e temido.
Um dos favoritos a todos os títulos do ano que vem.
Objetivamente falando: Temos uma base vice-campeã brasileira, que precisa de reforços absolutamente pontuais, com destaque para contratação de um atacante de melhor nível. Uma ou outra coisa ali, uma composição de elenco, meia-dúzia de dispensas. Só.
Nossas perspectivas são as melhores. E estamos em ascendência técnica, coletiva, individual, institucional, estrutural.
Não nadamos e morremos na praia, como diz o clichê de quem nem a nadar se prestou.
Estamos nadando ainda, a plenos pulmões.
Sem colete salva-vidas, sem “pré-qualquer-coisa-na-bolívia”.
Sem se contentar com “vitória moral”, até porque ela nada significa em um terreno que moral é só uma palavra sem ligação com seu sentido.
Mas eles querem que eu sinta uma tristeza que não sinto e, sobre meus ombros, pôr o peso de um estigma que não resiste aos fatos. Querem que eu me envergonhe do meu mérito e vendem que minha luta é vã.
Eles querem, patéticos, não conseguem.
O Vascaíno comemora o Vasco.
De cabeça erguida.


A Noite foi de Diego Souza.
Emoldurado pela Colina Histórica, que revive seus melhores dias, o camisa 10 reeditou os seus.
Dribles, passes, lançamentos precisos e gol antológico. Foi por conta desse cartel que o Vasco investiu em sua contratação. E ontem ele quis mostrar que investiu certo.
Jogador de rara habilidade para o tamanho que tem, e do tamanho que requer a camisa 10 Vascaína, Diego chamou o jogo pra si e colocou o Grêmio no bolso.
Falar apenas dele, no entanto, é falar menos do que precisa ser dito.
Vencemos por seu brilho individual, propiciado por uma atuação taticamente perfeita e coletivamente irresistível.
Uma noite de vagalumes acesos, como Eder Luis e o próprio Diego, e da soberba regularidade de seus pilares defensivos: Prass, correspondendo quando exigido, Dedé, cada vez mais entrosado com o sério Renato Silva; e Rômulo, que jogo sim, jogo também, se mostra como um dos melhores volantes do país.
Certamente o Vasco teve sua melhor atuação em todo Campeonato Brasileiro, algo que merece toda a exaltação, haja vista o desfalque de seu melhor jogador- Juninho Pernambucano.
A escalação levada à campo por Cristóvão Borges sugeria um time defensivo, preocupado em marcar o forte e técnico meio campo gremista e explorar os contra-ataques. No papel, defensivo, na prática, insinuante.
O Grito da arquibancada contagiou os jogadores. O time não dava espaço ao adversário, sufocava o homem da bola, todos se lançavam em carrinhos. Com a criança dominada, todos apareciam para jogar.E jogavam.
Antes mesmo de todos chegarem para festa, já vencíamos. Gol de centro-avante do centro-avante Élton, após jogada manjada pela direita e , imarcável, quando Éder Luis está aceso. Felipe Bastos, multiplicado em dois, lança para Diego e aí... e aí é só deixar a natureza agir. Nada mais natural do que ele passar como quer por Edcarlos e fuzilar Vítor. Se havia alguma chance de reação para o Grêmio, era preciso parar Diego e, ontem, não havia ninguém que pudesse fazê-lo. Ele lança primorosamente para Fágner, que serve para Éder Luis ampliar. Ainda caberia mais. De novo pelo lado direito, o Camisa 10 dribla o marcador e deixa Fágner coroar também a bela atuação, ratificando o baile.
O Vasco se mostrou um time solidário, consciente, aplicado , com vontade de corresponder, e correspondendo, ao amor dedicado por sua apaixonada e fiel torcida. Um time que corre pela arquibancada, pelo técnico em plena recuperação, pelo técnico interino e, sobretudo, por ele mesmo. Os jogadores sabem da chance que têm de assinarem, mais uma vez, seus nomes nas páginas que contam a história mais bela do esporte mundial. Sabem e não parecem querer desperdiçar.
São esses jogadores jovens, quase todos brasileiros, que irão recolocar o clube que os acolheu na única posição que lhe é confortável: A Primeira!
Se a noite ontem foi de Diego Souza, o ano será do Vasco. Já é do Vasco.
Basta manter a vontade de cumprir sua vocação.
Do resto o destino se encarrega.
O Vasco inicia nesta quinta-feira a saga em busca de mais um título internacional.
Um teste de grande importância para quem disputará a Libertadores, em 2012, com a obrigação de fazer uma campanha que calce os mesmos números da nossa esperança.
Após quebrar o jejum de dez anos sem títulos nacionais, o apetite se volta ao segundo título mais importante do continente.
Penso que a prioridade do Vasco no momento seja vencer sempre o próximo jogo. Conforme o desenrolar da temporada, admite-se até que o Campeonato Brasileiro e a Sul-Americana se postem em patamares diferentes. Até lá, como grande que somos, temos que brigar nas duas frentes.
A meta nesta quinta é conseguir um bom placar diante do Palmeiras e ir a São Paulo com a vantagem. No domingo, é vencer o Palmeiras e não deixar os líderes se afastarem.
O jogo de amanhã oferece boas oportunidades a certos jogadores do elenco.
Renato Silva faz sua estréia com a missão de provar que, se não está à altura inalcançável de Dedé, pelo menos é capaz de suprir dignamente a ausência. Confesso que preciso vê-lo para julgar. Apenas sei que é um zagueiro com rodagem por clubes grandes e que tem, indispensavelmente, Bob Marley na “playlist”.
Julinho ganha chance na lateral, mesmo que Ricardo Gomes não se convença que ele seja do ramo. Ao menos parece que nosso treinador chegou à conclusão óbvia de que persistir com Márcio Careca é dar razão aos que o criticam pela teimosia.
Elevado ao nível de xodó, Bernardo volta ao time após três rodadas. Substituirá Eder Luiz, embora suas características não sejam as mesmas. Terá mais uma chance de provar que pode ser titular do time, algo que não conseguiu nenhuma vez quando escalado entre os 11 iniciais. Perdemos em velocidade e “poder de chateação” pelo lado direito, mas ganhamos em finalização e raciocínio.
Se estes terão chance, nenhuma será maior do que a do artilheiro Élton, um caso curiosíssimo. Não foram poucas as vezes que vi nosso centro-avante ser achincalhado pela torcida em São Januário. Gritos, ofensas, xingamentos diversos e a velha “ Não tem condições de vestir a camisa do Vasco” foram proferidos ferinamente pela torcida em sua direção.
Mas o tempo passa e, as terríveis atuações de Alecsandro, fizeram de Élton uma espécie de salvador. Argumentos para atacar Alecsandro, convenhamos, o próprio nos deu. Não domina direito uma bola, perde gols, erra passes.... mas, peraí, isso é o rascunho do Élton!
Que venham pedras, mas eu vejo o Alecsandro como mais jogador que Élton, apesar de considerá-los bem próximos. Entendo também que futebol é momento e, se o do Alecsandro é flagrantemente terrível, nada mais justo do que o nosso artilheiro da Série B ter sua oportunidade.
Sem saber como encerrar esse texto, termino dizendo que fazia tempo que não ficava tão feliz com o futebol e com o Vasco como estou ultimamente. Em que pese as pequenas discordâncias, uma ou outra corneta, o quadro geral da torcida é de satisfação.
O Vasco finalmente voltou a ser respeitado e levado a sério nas disputas que participa. E mais que isso, voltou a ter a confiança da própria torcida que, sem constrangimento, aponta o time como favorito em qualquer competição.
Vencer títulos daqui para frente será apenas conseqüência.