domingo, 26 de fevereiro de 2012

Não pode e não vai!






Esperava o título da Taça Guanabara para me manifestar pela primeira vez no ano sobre o promissor time do Vasco.


Acredito que há essa altura já temos um objeto para um comentário mais elaborado.


Infelizmente o título não veio, mas ele não apaga o valor da caminhada até aqui.


Apontar culpados na derrota é fácil- o primeiro instinto- e poucas vezes totalmente explicativo.


Cristovam, como sugere o nome, será o primeiro crucificado.


A rigor, enxergo apenas um erro dele, sistemático ,aliás.


Escalar Felipe Bastos de titular. Ainda assim, é possível entender.


Sem Rômulo,sem Alan, sem Jumar( Meu Deus, que falta faz o Jumar!) somente o Bastos tem características para contrabalancear um volante pesado, e péssimo, como o Nílton. Embora ele também seja fraco, se movimenta e cobre uma área maior do meio campo com sua correria, que, no entanto, de nada adianta quando incoerente.


Felipe e Juninho não podem jogar juntos. Até a segunda página.


Contra times modestos do Rio e até mesmo da Série A, a utilização conjunta provavelmente é a melhor alternativa de jogo que podemos ter.


Contra o Fluminense, na Final da Taça Guanabara,naturalmente que não.


O Fluminense é forte ao nosso nível, com vantagem considerável em termos de elenco.


Titulares diante de titulares, tenso equilíbrio, porém.


Logo, o jogo é igual como se esperava.


Wellingnton Nem fustigava no ataque e incomodava a atuação de Fágner ,uma das nossas principais peças. Deco, com a liberdade muito acima da recomendável, organizava o time.


Pelo Vasco, Juninho cumpria a mesma função do craque tricolor, com a mesma excelência. Willian Barbio, lépido, agressivo, cheio de personalidade, era quem perturbava a zaga adversária.
E por ser essencialmente um jogo, muito mais do que um esporte como os outros, a sorte é variável fundamental para determinar o destino da história.


Circunstâncias falam muito mais alto que estatísticas.


Esse conceito é conhecido como “Se”.


Se a trave fosse mais generosa no chute de Diego Souza, tudo poderia ter sido diferente.


E, além de não ser, na sequência do lance, penalti a favor do Flu.


O 1 a 0 ainda nos mantinha muito vivos no jogo.


O 2 a 0, desenhado em chute primoroso de Deco, dava contornos mais decisivos.


Alterou-se todo o planejamento que se poderia ter para uma virada organizada.


Organização que tentou ser mantida até o terceiro gol, outro de Fred, com contribuição relevante de Rodolfo.


Enquanto ele não entender o que é jogar no Vasco, deve ser banco de Renato Silva, aliás, como já deveria estar sendo.


Mais do que as falhas, várias até aqui, o mais irritante é a soberba dele de comedor de mortadela e arrotador de caviar.


A partir dali, pouca coisa havia para ser feita.


Colocar Felipe naquele momento exporia o time ainda mais.


Cristovam optou por impedir que a derrota, inevitável, se tornasse um vexame.


Preocupação, cá pra nós, das mais pertinentes diante das circunstâncias.


E por isso pôs Eduardo Costa no lugar de Bastos.


Não havia e nem haveria de ter mais nenhum esquema tático naquela altura.


Com coração, Dedé abandonou a zaga e o fez porque pareceu uma solução desesperada, normalmente as únicas que dão certo num momento de desespero.


O Fluminense perdia a chance de nos impor uma derrota histórica.


O juiz, bom, quer dizer, mau, o juiz era Marcelo de Lima Henrique e, mesmo que não tenha cometido erros para influenciar o resultado, minava os ataques do Vasco marcando faltinhas em disputas físicas entre zagueiros e atacantes grandões. Como é mesmo o nome disso? Ah... sim, Futebol.



Da cabeça de Eduardo Costa, sai o gol que diminui a vantagem, que reascende a chama da esperança nos corações mais apaixonados. Felipe já está em campo. Àquela altura, o vexame já havia sido evitado. Era prudente colocá-lo.


Dedé cabeceia a bola na trave. Alecsandro,da pequena área, não consegue vencer o goleiro adversário. O gol que poderia expor tacitamente toda a maluquice que pode ser a história de um jogo de futebol, não acontece.


Time de pouca sorte o Vasco.


Vencido na primeira estação por um adversário tão bom e tão merecedor quanto.


Vencido por detalhes, porque um lado precisa comemorar e ao outro cabe o lamento.


Cabe a nós imaginar o que separava o destino se aquilo e não isso tivesse acontecido e, porque não, dar vazão ao estridente som das nossas cornetas.


Ainda resta mais um turno a ser percorrido, ainda é possível bater campeão e não há quem possa duvidar que podemos vencer o carioca. Peças cruciais como Éder Luiz e Rômulo irão retornar.Tenório e Abeleiras se juntarão a nau.Teremos mais opções e mais qualidade.


A Taça Guanabara é importante para garantir um segundo turno mais tranqüilo e uma vaga na decisão que será lembrada.


O elenco do Vasco permite, comprovadamente, que a fase de classificação da Taça Rio seja tranqüila da mesma forma.


O foco, como deve ser e sempre foi, é a Libertadores.


Não tem dilema, não tem conflito de interesse.


Se a Taça Rio puder atrapalhar a campanha na Libertadores, deve ser descartada e o Campeonato Carioca tratado pelo tamanho que tem: o menor e menos importante da temporada.
Para um primeiro momento, o desempenho do Vasco é satisfatório.


Existem problemas, existem desfalques, mas existem muito mais virtudes, existe, por exemplo, a grata surpresa que é o Willian Barbio. Moleque sem medo, com a cara do Vasco.


A derrota não pode apagar o trabalho excepcional e o valor do time brioso que temos.


Não pode e, depois de passada a tormenta e soadas as trombetas do apocalipse, não vai.


Temos um time, temos camisa, temos torcida, temos profissionais e, acima de tudo, homens nos representando.


Não tem como dar errado.


E não vai!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Vice-Campeão Brasileiro de 2011


Querem que eu sinta uma tristeza que não sinto.

E, sobre meus ombros, pôr o peso de um estigma que não resiste à uma breve e pueril consulta histórica.

Querem que eu sinta vergonha pelo meu mérito.

E vendem que minha luta foi em vão.

O Vascaíno não comemora o vice.

Não está orgulhoso da não conquista.

Não está satisfeito por ter sido eliminado.

O Vascaíno comemora o Vasco.

O Vasco que ele conheceu quando criança.

Voltando a ocupar o espaço que é seu de direito.

O Vasco que briga pelo máximo, sempre.

E por isso é tantas vezes vice.

E é por isso é tantas vezes campeão.

Mais uma vez atingimos a honrosa segunda colocação ao final desse Brasileiro.

Feito já obtido outras duas vezes, diante do Inter, em 79, e Fluminense, em 84.

Das sete vezes em que estivemos disputando o título, vencemos quatro.

Em nossas três finais sul-americanas, vencemos todas.

Números que nada Interessam nesse momento.

Momento de se lamentar pela não conquista de um time que merecia, que podia, e que provavelmente usará essa campanha como combustível para as conquistas, naturais, que se seguirão.

Em breve, muito breve.

Não perdemos o campeonato nesse jogo. Você há de se lembrar, sem a necessidade de apontar , de vários pontos jogados pela janela .Tungados pela arbitragem.

Pode até dizer que quatro deles ficaram nos bolsos do Péricles Bassols.

Dirá em vão. Sem Razão.

Sempre soubemos que não podíamos depender da sorte decidida pela arbitragem.

Precisaríamos ultrapassar mais essa barreira e não conseguimos.

Cedemos ao cansaço, sem jamais ir a nocaute.

Derrota por pontos. Dois pontos.

Você também pode dizer que o campeonato está armado para o Corinthians.

Argumentação que encontra indícios, ou pelo menos suspeitas, para se sustentar.

Provar? Impossível.

“No creo em las brujas, pero que las hay, las hay”, diria o outro.

Entrar em qualquer discussão é o pior que pode ser feito.

Rebatê-los é trazê-los ao nosso plano, ou, ainda pior, submergir ao deles.

Protagonistas e coadjuvantes não devem se misturar.

Hoje o Vascaíno sente orgulho.

O Vascaíno, eu, comemora o Vasco.

O Vasco que eu conheci quando criança.

Forte, respeitado e temido.

Um dos favoritos a todos os títulos do ano que vem.

Objetivamente falando: Temos uma base vice-campeã brasileira, que precisa de reforços absolutamente pontuais, com destaque para contratação de um atacante de melhor nível. Uma ou outra coisa ali, uma composição de elenco, meia-dúzia de dispensas. Só.

Nossas perspectivas são as melhores. E estamos em ascendência técnica, coletiva, individual, institucional, estrutural.

Não nadamos e morremos na praia, como diz o clichê de quem nem a nadar se prestou.

Estamos nadando ainda, a plenos pulmões.

Sem colete salva-vidas, sem “pré-qualquer-coisa-na-bolívia”.

Sem se contentar com “vitória moral”, até porque ela nada significa em um terreno que moral é só uma palavra sem ligação com seu sentido.

Mas eles querem que eu sinta uma tristeza que não sinto e, sobre meus ombros, pôr o peso de um estigma que não resiste aos fatos. Querem que eu me envergonhe do meu mérito e vendem que minha luta é vã.

Eles querem, patéticos, não conseguem.

O Vascaíno comemora o Vasco.

De cabeça erguida.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Vai pra cima!



Nunca houve um time que cumprisse tão a ferro e fogo a ordem das arquibancadas, como o Vasco de 2011.


“Uh! Vai pra Cima! É o Trem-Bala da Colina!”- pedimos nós, ainda lá atrás, quando o time esboçava uma reação no Campeonato Carioca.

Vocês certamente se lembram da partida em que esse grito foi cunhado, ou, pelo menos, quando ele ficou marcado.

Bernardo, até então um quase desconhecido, destruiu um dos timecos do carioca, marcando três belos gols.

E o Trem- Bala surgia ali, naquele dia.

Ao mesmo tempo que se remetia ao Expresso da Vitória- Maior Time de Toda a História do Vasco- se contrapunha ao famigerado bonde sem freio , hoje, também, sem vaga e sem rumo.

E desde que surge o Trem-Bala, ele vai pra cima!

Força máxima em todas as competições!

Dedicação e perseverança!

Além de um excelente time de futebol.

Um elenco recheado de individualidades que tem no conjunto o seu grande craque.

Todos os principais jogadores do time tiveram seus momentos de protagonismo em algum período da temporada: Eder Luiz, Juninho, Felipe, Diego Souza, Bernardo, Alecsandro, Élton.

Isso, claro, apoiado na regularidade impressionante de alguns jogadores, como Fernando Prass, Jumar, Allan, Fágner, Rômulo e Dedé.

O nosso zagueiro sendo um capítulo extenso e especial à parte: Engoliu todos os grandes atacantes do futebol Brasileiro e palitou os dentes com os menos renomados. Excepcional em 99% das partidas em que atuou, sendo decisivo na defesa em todas, e no ataque em várias delas. O único jogador sem substituição ou paliativo no elenco. O melhor zagueiro do futebol sul-americano, com sobras. Forte, Rápido, Técnico, Leal. GIGANTE! UM MITO!

Sua última vítima foi Fred, no clássico(zinho) eletrizante diante da Unimed.

Com as duas equipes tendo que vencer, o jogo foi aberto.

Chances perdidas, o previsível gol legítimo anulado de Diego Souza, a previsível péssima e tendenciosa arbitragem de marcelo de lima Henrique(minúsculo, por favor), e a previsível dedicação dos dois times. Os dois melhores.

Só que esse ano, podem nos igualar na técnica e na tática, mas na vontade não dá!


O Trem-Bala foi pra cima e conquistou mais uma de suas épicas vitórias!

E agora vai para o Chile, e vai pra cima(!) com a força máxima que Cristovão tiver a disposição!

E se por acaso nada for conquistado, teremos a certeza de que tudo isso não foi em vão!

Esta longe de ser em vão a hombridade tão rara que o Vasco tem mostrado nessa temporada!

Mas é claro que nós queremos ganhar! E temos totais condições para isso!

Vamos em busca do nosso destino!

Eu acredito! Acredito que eles vão perder e nós vamos ganhar! Se eles merecem também, e é evidente que são merecedores, merecem menos que nós. É a nossa história que vai ser contada! A história de um time que superou todas as dificuldades, todas as desconfianças e desde sempre se mostrou campeão. Um time que escreve um capítulo glorioso na história do clube e nas páginas do futebol mundial.

Um time que simplesmente foi pra cima!

E vai pra cima! Sem medo de ser feliz!


domingo, 18 de setembro de 2011

Do resto o destino se encarrega...


A Noite foi de Diego Souza.

Emoldurado pela Colina Histórica, que revive seus melhores dias, o camisa 10 reeditou os seus.

Dribles, passes, lançamentos precisos e gol antológico. Foi por conta desse cartel que o Vasco investiu em sua contratação. E ontem ele quis mostrar que investiu certo.

Jogador de rara habilidade para o tamanho que tem, e do tamanho que requer a camisa 10 Vascaína, Diego chamou o jogo pra si e colocou o Grêmio no bolso.

Falar apenas dele, no entanto, é falar menos do que precisa ser dito.

Vencemos por seu brilho individual, propiciado por uma atuação taticamente perfeita e coletivamente irresistível.

Uma noite de vagalumes acesos, como Eder Luis e o próprio Diego, e da soberba regularidade de seus pilares defensivos: Prass, correspondendo quando exigido, Dedé, cada vez mais entrosado com o sério Renato Silva; e Rômulo, que jogo sim, jogo também, se mostra como um dos melhores volantes do país.

Certamente o Vasco teve sua melhor atuação em todo Campeonato Brasileiro, algo que merece toda a exaltação, haja vista o desfalque de seu melhor jogador- Juninho Pernambucano.

A escalação levada à campo por Cristóvão Borges sugeria um time defensivo, preocupado em marcar o forte e técnico meio campo gremista e explorar os contra-ataques. No papel, defensivo, na prática, insinuante.

O Grito da arquibancada contagiou os jogadores. O time não dava espaço ao adversário, sufocava o homem da bola, todos se lançavam em carrinhos. Com a criança dominada, todos apareciam para jogar.E jogavam.

Antes mesmo de todos chegarem para festa, já vencíamos. Gol de centro-avante do centro-avante Élton, após jogada manjada pela direita e , imarcável, quando Éder Luis está aceso. Felipe Bastos, multiplicado em dois, lança para Diego e aí... e aí é só deixar a natureza agir. Nada mais natural do que ele passar como quer por Edcarlos e fuzilar Vítor. Se havia alguma chance de reação para o Grêmio, era preciso parar Diego e, ontem, não havia ninguém que pudesse fazê-lo. Ele lança primorosamente para Fágner, que serve para Éder Luis ampliar. Ainda caberia mais. De novo pelo lado direito, o Camisa 10 dribla o marcador e deixa Fágner coroar também a bela atuação, ratificando o baile.

O Vasco se mostrou um time solidário, consciente, aplicado , com vontade de corresponder, e correspondendo, ao amor dedicado por sua apaixonada e fiel torcida. Um time que corre pela arquibancada, pelo técnico em plena recuperação, pelo técnico interino e, sobretudo, por ele mesmo. Os jogadores sabem da chance que têm de assinarem, mais uma vez, seus nomes nas páginas que contam a história mais bela do esporte mundial. Sabem e não parecem querer desperdiçar.

São esses jogadores jovens, quase todos brasileiros, que irão recolocar o clube que os acolheu na única posição que lhe é confortável: A Primeira!

Se a noite ontem foi de Diego Souza, o ano será do Vasco. Já é do Vasco.

Basta manter a vontade de cumprir sua vocação.

Do resto o destino se encarrega.

domingo, 4 de setembro de 2011

Uma tarde infeliz e apenas isso...



Uma tarde infeliz- definiu Fernando Prass ao sair de campo após ter visto quatro bolas do América MG estufando suas redes.

Uma tarde infeliz, apenas isso- defino eu.

O tal de futebol é de nos pregar peças. A variante brasileira dele nem se fala.

Não existe, simplesmente não existe, nenhuma partida fácil no Equilibrato Nacional.

Levantar a cabeça após da derrota, mais que clichê, é imperativo para todo time que deseja levantar a taça no fim.

Caso do Vasco, que no pior dos cenários continuará precisando apenas de si para conquistar o intento.

Hoje o time apresentou comportamento muito diferente do usual.

Embora nem sempre jogue bem, o Vasco é um time criador de oportunidades.
É também um time que depende muito da entrega e da organização defensiva, que sofre baixa irreparável quando Dedé não joga. O time perde força, técnica, altura, segurança e boa parte do respeito dos adversários sem o melhor zagueiro do Brasil. A ausência de Jumar também é muito sentida. Pra mim, titular no meio ou em qualquer lateral.

O primeiro gol nasce de desatenção de Fágner na marcação e, veja você, André Canela complementa. Juninho logo empata, cobrando pênalti de fora da área. Fágner, sempre ele, derruba André Canela na região fatal, sem a menor necessidade, e o coelho salta na frente antes do fim da primeira etapa.

As equipes voltam a campo e o Vasco se comporta como quem quer a vitória. A zaga, no entanto, se comporta como quem não tem Dedé. Em um lance no qual nosso camisa 26 certamente se imporia, Renato Silva apenas observa, perde no corpo, não acompanha a corrida do jogador adversário, que encobre Fernando Prass e apita o final do jogo.

E por mais que tivessem sido feito trocas mais corretas ou mais confusas, como as de Cristovão Borges, a tarde já tinha ido pro saco. Uma tarde pra lá de infeliz. Coisas do futebol, único esporte em que o time claramente superior pode sair derrotado por uma infelicidade vespertina.

Para nossa sorte, os que estão perto de nós, tecnicamente empatados na liderança, também tiveram pedras a tirar-lhes o conforto dos sapatos.

Perder pro lanterna, que, ainda por cima, conta com Amaral como homem das bolas paradas e André Canela como artilheiro, é realmente de amargar. Mas, mesmo que haja tardes infelizes, temos hoje a felicidade de torcer para um elenco maduro, capaz de absorver o revés, por pior que ele seja, e transformá-lo em motivação. A derrota é sempre inquietante para esse time.

Que continua prestando como sempre prestou.

Mesmo que existam semelhantes, somos a grama mais verde desse campeonato.

Arrisco-me arriscar dizer que até mesmo as derrotas, em alguns casos, são boas. Se a última vez em que havíamos vencido o São Paulo no Morumbi, por campeonatos brasileiros, fomos campeões, na última em que fomos derrotados pelo América Mineiro, o garoto-dinamite trazia o primeiro título brasileiro para um clube carioca, em 74. Isso antes da orgia da distribuição de títulos da CBF, é claro!

Faltam 17 rodadas para o fim e não acredito no Penta...

Eu confio!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Tô rumo ao PENTA e você nem viu!



“É utopia imaginar que o Vasco vai conquistar alguma taça esse ano. O fio de esperança é uma linha de delírio . Daqui a pouco começa o discurso de sempre: “ O caminho na Copa do Brasil é fácil até as semi-finais, sei lá”, “O time do Goiás que era uma M quase ganhou a sul-americana, a gente pode também”. Provavelmente embarcarei na conversa, como bom Vascaíno fundamentalista que sou. “

Esse parágrafo foi extraído de uma coluna minha em 11 de fevereiro, após uma das inúmeras e vergonhosas derrotas no campeonato carioca. Escrita em um momento de completa ira, acredito que revela uma passionalidade com a qual você certamente é capaz de se identificar. Prosseguia espinafrando todo elenco, duvidando da capacidade do recém chegado Ricardo Gomes e, fundamentalmente, esquecendo que o mundo do futebol pode dar voltas muito rápido. Falava, portanto, besteiras, como a maioria dos entendidos da televisão faz a todo tempo.

Em minha defesa, afirmo que no instante em que aquelas linhas pariam-se do ódio, julgo que fosse impossível para qualquer um ter a sensibilidade de que o momento que vivíamos seria fundamental para que a temporada vascaína tomasse rumos, àquela altura, mais que imponderáveis.

Precisávamos de uma verdadeira revolução, não só uma mudança. Não havia outro caminho a não ser agir e sair finalmente da letargia que parecia acometer a todos no clube. Sabe-se lá de onde, apareceu dinheiro e o elenco foi reformulado. No comando , a serenidade de Ricardo Gomes foi fundamental para o quadro de terra arrasada rapidamente se modificar.

A confiança voltou e os resultados foram aparecendo. Ainda no carioca, conseguimos nos recolocar na disputa, sendo derrotados pelo urubu nas penalidades da Taça Rio. Naquela altura, já não era nem mais delírio imaginar que poderíamos vencer a Copa do Brasil como vencemos. Após a conquista e a vaga assegurada na Libertadores, o clube promove o retorno de seu maior ídolo em atividade, a personificação de uma era das mais vencedoras da instituição.

Aí, o delírio passou a ser imaginar que esse time não se colocaria em todas as disputas que se seguiriam, como faz agora nesse momento. Empatado tecnicamente na liderança do Brasileiro, pode-se dizer que o Vasco reúne o necessário para que o time brigue até as últimas conseqüências, em condições de igualdade- quando não de superioridade, pelas duas taças que disputa.

Ao que dirão: Mas o elenco ainda apresenta carências, precisamos de laterais, de atacantes de melhor nível. Ao que direi: concordo, mas carências em seus elencos todos os times têm, passa longe de ser uma exclusividade nossa. E diria mais: o que não temos é infinitamente menor do que o que já temos.

A nossa grama é sem dúvida uma das mais verdes da vizinhança. Senão vejamos: Dois zagueiros de nível selecionável, um meio campo recheado de opções de qualidade tanto defensivamente quanto ofensivamente, dois maestros absolutamente extra-classes e a melhor bola parada do Brasil, que faz a diferença em um campeonato de tenso equilíbrio.

Acima foram elencados apenas os recursos humanos, mas o invisível conta muito no futebol. Temos hoje um grupo sem vaidades, sem quaisquer melindres, absolutamente confiante em suas possibilidades e, acima de tudo, consciente de que representa uma das camisas mais pesadas do futebol continental. A frase do meu pai, do qual herdei muito mais as letras do que a paixão pelo futebol, é emblemática: O Vasco agora voltou a ser grande, né?

Voltar não é a palavra certa, uma vez que é impossível retornar a uma condição da qual jamais se saiu. A grandeza do Vasco não conseguiu ser diminuída nem mesmo pela “politicália” que cerca o clube e tampouco pela escassez de conquistas. Faltava ao Vasco , isso sim, voltar a ter modos de gigante, justificando sua irrefutável condição. O resto seria conseqüência.

Antes tímida, a grande mídia já não consegue tapar os olhos para não ver. Somos uma realidade, é impossível negar, impossível não levar a sério a voracidade de um gigante que acaba de acordar e dá sucessivas mostras de estar faminto. O time não só quer, como transparece que quer e acredita que pode.

Eu tô rumo ao penta e você nem viu!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A prioridade é o jogo seguinte


O Vasco inicia nesta quinta-feira a saga em busca de mais um título internacional.

Um teste de grande importância para quem disputará a Libertadores, em 2012, com a obrigação de fazer uma campanha que calce os mesmos números da nossa esperança.

Após quebrar o jejum de dez anos sem títulos nacionais, o apetite se volta ao segundo título mais importante do continente.

Penso que a prioridade do Vasco no momento seja vencer sempre o próximo jogo. Conforme o desenrolar da temporada, admite-se até que o Campeonato Brasileiro e a Sul-Americana se postem em patamares diferentes. Até lá, como grande que somos, temos que brigar nas duas frentes.

A meta nesta quinta é conseguir um bom placar diante do Palmeiras e ir a São Paulo com a vantagem. No domingo, é vencer o Palmeiras e não deixar os líderes se afastarem.

O jogo de amanhã oferece boas oportunidades a certos jogadores do elenco.

Renato Silva faz sua estréia com a missão de provar que, se não está à altura inalcançável de Dedé, pelo menos é capaz de suprir dignamente a ausência. Confesso que preciso vê-lo para julgar. Apenas sei que é um zagueiro com rodagem por clubes grandes e que tem, indispensavelmente, Bob Marley na “playlist”.

Julinho ganha chance na lateral, mesmo que Ricardo Gomes não se convença que ele seja do ramo. Ao menos parece que nosso treinador chegou à conclusão óbvia de que persistir com Márcio Careca é dar razão aos que o criticam pela teimosia.

Elevado ao nível de xodó, Bernardo volta ao time após três rodadas. Substituirá Eder Luiz, embora suas características não sejam as mesmas. Terá mais uma chance de provar que pode ser titular do time, algo que não conseguiu nenhuma vez quando escalado entre os 11 iniciais. Perdemos em velocidade e “poder de chateação” pelo lado direito, mas ganhamos em finalização e raciocínio.

Se estes terão chance, nenhuma será maior do que a do artilheiro Élton, um caso curiosíssimo. Não foram poucas as vezes que vi nosso centro-avante ser achincalhado pela torcida em São Januário. Gritos, ofensas, xingamentos diversos e a velha “ Não tem condições de vestir a camisa do Vasco” foram proferidos ferinamente pela torcida em sua direção.

Mas o tempo passa e, as terríveis atuações de Alecsandro, fizeram de Élton uma espécie de salvador. Argumentos para atacar Alecsandro, convenhamos, o próprio nos deu. Não domina direito uma bola, perde gols, erra passes.... mas, peraí, isso é o rascunho do Élton!

Que venham pedras, mas eu vejo o Alecsandro como mais jogador que Élton, apesar de considerá-los bem próximos. Entendo também que futebol é momento e, se o do Alecsandro é flagrantemente terrível, nada mais justo do que o nosso artilheiro da Série B ter sua oportunidade.

Sem saber como encerrar esse texto, termino dizendo que fazia tempo que não ficava tão feliz com o futebol e com o Vasco como estou ultimamente. Em que pese as pequenas discordâncias, uma ou outra corneta, o quadro geral da torcida é de satisfação.

O Vasco finalmente voltou a ser respeitado e levado a sério nas disputas que participa. E mais que isso, voltou a ter a confiança da própria torcida que, sem constrangimento, aponta o time como favorito em qualquer competição.

Vencer títulos daqui para frente será apenas conseqüência.